Lamentos

Título: Lamentos Artista principal: António Pinho Vargas Data de lançamento CD 22/11/2023 UPC - 0729208107280 Editora - Artway Next N. catálogo - Next006-2023 Resumo: "Lamentos" é um álbum monográfico de um dos compositores portgueses mais destacados e reconhecidos nacional e internacionalmente. Reúne 3 obras, Concerto para violino, Concerto para viola e Sinfonia (subjectiva), esta última, numa gravação inédita. Foi gravado numa das salas mais importantes em Portugal, o Centro Cultural de Belém, tendo como artistas a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o maestro Pedro Neves e a violinista Ana Pereira e a violinista Joana Cipriano. "Lamentos" is a monographic album of one of the most prominent and nationally and internationally recognized Portuguese composer. It features 3 works, Violin concerto, Viola concerto and Sinfonia (subjetiva), the latter, in an unprecedented recording. It was recorded in one of the most important concert halls in Portugal, the Belém Cultural Center, in Lisbon, having as artists the Lisbon Metropolitan Orchestra with conductor Pedro Neves and two remarkable soloists: the violinist Ana Pereira and the violist Joana Cipriano. // Testemunho artístico António Pinho Vargas A música tem de se realizar em obra enquanto música. Heidegger passa muitas páginas a tentar demonstrar, com a sua persistência circular, que antes de ser obra, uma obra de arte é uma coisa. Estamos tão habituados à expressão ‘obra de arte’, seja qual for o seu meio de expressão específico, que podemos muito bem esquecer esse carácter primordial e milenar: ‘coisas’ resultantes do trabalho humano na sua ânsia de tratar, de trabalhar, de enfrentar na obra, os seus medos, anseios, desejos, enfim, o seu desejo último de expressão, de dar uma razão de ser secreta à sua vida. Nesta ambivalência sempre presente reside tanto o lado mais maravilhoso como o mais duro. No longo tempo do fazer das obras ‘os criadores’ – um termo que por si só exprime o inalcançável divino perfeito que paira por cima – fazem sempre o melhor que podem e quando acontece uma emoção estética somos obrigados a celebrar: a obra conseguiu existir, interpelar e tocar os ouvintes. Não me é fácil, nesta altura, falar destas três obras. Cada uma destas composições tem uma motivação muito particular, muito íntima, no que respeita mais aos segredos da vida do que a quaisquer segredos de composição (inexistentes). Desse modo - depois da interrupção trágica e já quase esquecida da pandemia - que as tenha podido ouvir nos três dias das gravações no CCB tão admiravelmente tocadas, não deixou de me surgir como uma aparição quase miraculosa e muito comovente. // Music must reach its status of work as music. Heidegger uses many pages with his circular persistence trying to demonstrate that before being a work, the work of art is a thing. We are so used to the expression ‘work of art’, whatever its specific means of expression, that we may very well forget this primordial and ancient character: ‘things’ resulting from human work in their eagerness to treat, to work, to face in the ‘work’ their fears, anxieties, desires, in short, their ultimate desire for expression, to give a secret reason for being (raison d’être) to their life. In this ever-present ambivalence lies both the most wonderful and the hardest sides. In the long time of the works-making, 'the creators' – a term that, in itself, expresses the unattainable perfect divine that hovers above – always do the best they can and when an aesthetic emotion occurs, we are forced to celebrate: the work managed (has managed) to exist, question and touch listeners. It is not easy for me, at this point, to talk about these three works. Each of these compositions has a very particular, very intimate motivation, which concerns more the secrets of life than any (non-existent) secrets of composition. So - after the tragic and almost forgotten interruption of the pandemic - the fact that I was able to hear them during the three days of the recordings at the CCB so admirably played, never ceased to appear to me as an almost miraculous and very moving apparition.

Lamentos

Pedro Neves · 2023

Título: Lamentos Artista principal: António Pinho Vargas Data de lançamento CD 22/11/2023 UPC - 0729208107280 Editora - Artway Next N. catálogo - Next006-2023 Resumo: "Lamentos" é um álbum monográfico de um dos compositores portgueses mais destacados e reconhecidos nacional e internacionalmente. Reúne 3 obras, Concerto para violino, Concerto para viola e Sinfonia (subjectiva), esta última, numa gravação inédita. Foi gravado numa das salas mais importantes em Portugal, o Centro Cultural de Belém, tendo como artistas a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o maestro Pedro Neves e a violinista Ana Pereira e a violinista Joana Cipriano. "Lamentos" is a monographic album of one of the most prominent and nationally and internationally recognized Portuguese composer. It features 3 works, Violin concerto, Viola concerto and Sinfonia (subjetiva), the latter, in an unprecedented recording. It was recorded in one of the most important concert halls in Portugal, the Belém Cultural Center, in Lisbon, having as artists the Lisbon Metropolitan Orchestra with conductor Pedro Neves and two remarkable soloists: the violinist Ana Pereira and the violist Joana Cipriano. // Testemunho artístico António Pinho Vargas A música tem de se realizar em obra enquanto música. Heidegger passa muitas páginas a tentar demonstrar, com a sua persistência circular, que antes de ser obra, uma obra de arte é uma coisa. Estamos tão habituados à expressão ‘obra de arte’, seja qual for o seu meio de expressão específico, que podemos muito bem esquecer esse carácter primordial e milenar: ‘coisas’ resultantes do trabalho humano na sua ânsia de tratar, de trabalhar, de enfrentar na obra, os seus medos, anseios, desejos, enfim, o seu desejo último de expressão, de dar uma razão de ser secreta à sua vida. Nesta ambivalência sempre presente reside tanto o lado mais maravilhoso como o mais duro. No longo tempo do fazer das obras ‘os criadores’ – um termo que por si só exprime o inalcançável divino perfeito que paira por cima – fazem sempre o melhor que podem e quando acontece uma emoção estética somos obrigados a celebrar: a obra conseguiu existir, interpelar e tocar os ouvintes. Não me é fácil, nesta altura, falar destas três obras. Cada uma destas composições tem uma motivação muito particular, muito íntima, no que respeita mais aos segredos da vida do que a quaisquer segredos de composição (inexistentes). Desse modo - depois da interrupção trágica e já quase esquecida da pandemia - que as tenha podido ouvir nos três dias das gravações no CCB tão admiravelmente tocadas, não deixou de me surgir como uma aparição quase miraculosa e muito comovente. // Music must reach its status of work as music. Heidegger uses many pages with his circular persistence trying to demonstrate that before being a work, the work of art is a thing. We are so used to the expression ‘work of art’, whatever its specific means of expression, that we may very well forget this primordial and ancient character: ‘things’ resulting from human work in their eagerness to treat, to work, to face in the ‘work’ their fears, anxieties, desires, in short, their ultimate desire for expression, to give a secret reason for being (raison d’être) to their life. In this ever-present ambivalence lies both the most wonderful and the hardest sides. In the long time of the works-making, 'the creators' – a term that, in itself, expresses the unattainable perfect divine that hovers above – always do the best they can and when an aesthetic emotion occurs, we are forced to celebrate: the work managed (has managed) to exist, question and touch listeners. It is not easy for me, at this point, to talk about these three works. Each of these compositions has a very particular, very intimate motivation, which concerns more the secrets of life than any (non-existent) secrets of composition. So - after the tragic and almost forgotten interruption of the pandemic - the fact that I was able to hear them during the three days of the recordings at the CCB so admirably played, never ceased to appear to me as an almost miraculous and very moving apparition.